Crônica - Grandes Polêmicas, Pequenos Resultados
O Brasil e o mundo andam afundados em polêmicas sem solução. Debates sem fim atulham jornais, programas de TV, rádio e a internet. Uns são contra, outros são a favor, todos falam, falam e falam, mas o que a maioria não sabe, salvo exceções, é que tudo é uma grande perda de tempo. E isso quando não estamos falando sobre um não-assunto. Como primeiro exemplo destas polêmicas inúteis, podemos analisar a questão do aquecimento global, ou da mudança climática, como o assunto foi rebatizado nos últimos tempos. Existem alguns pontos de consenso sobre o assunto: A temperatura na Terra está aumentando. O mundo será destruído por causa desta mudança. A culpa é nossa, por que somos poluidores. A culpa maior é dos americanos por que tem automóveis maiores. Este é o tom que domina a maior parte da cobertura do assunto. Ontem mesmo eu vi uma propaganda do Greenpeace que dizia: “Lembra quando vocês eram jovens e queriam mudar o mundo? Parabéns, vocês conseguiram.” Isto tudo é muito estranho. Em primeiro lugar, a pressa em culpar o ser humano por tudo que acontece de ruim no mundo é intrigante. O inconsciente coletivo deve incluir alguns tipos de psicose. Existe um problema, a culpa é nossa, simples. A questão é que nem sempre as coisas são tão simples. Em segundo lugar, se alguém se der ao trabalho de ir um pouco mais fundo do que slogans e adesivos e pesquisar de verdade vai ver que o clima é um assunto muito mais complexo do se pode imaginar à primeira vista. Lembro que quando a Ciência do Caos tinha este nome, era muito comum citar o clima um sistema “caótico”, uma borboleta batendo suas asas em Nova Iorque poderia provocar uma tempestade na China e assim por diante. Para ilustrar a imprevisibilidade do clima, basta lembrar duas mudanças dramáticas que não foram conseqüência de ação do homem. Durante a Idade Média se iniciou o evento que ficou conhecido como Pequena Era do Gelo. Ela se estendeu até o século XIX teve como uma de suas conseqüências diretas o fim da civilizaçãoViking na América do Norte. O resfriamento anormal levou ao congelamento de parte do Atlântico Norte, o que impediu a navegação e dificultou a agricultura. Outro evento notável foi O Ano sem Verão em 1816, quando uma onda de frio inesperada provocou a perda das colheitas e fome epidêmica na Ásia, Europa e América. Cientistas acreditam que o Ano sem Verão pode ter sido causado pela erupção do Monte Tambora, na Indonésia. Além da complexidade inerente do sistema climático, existem várias teorias que podem explicar (ou não) a mudança de temperatura e não tem a ver com seus hábitos de consumo. Existem cientistas que colocam a conta da temperatura global no Aumento da Atividade do Sol. Faz sentido. Se a temperatura do Sol aumentasse repentinamente, a da temperatura da Terra aumentaria proporcionalmente. Ou não? Os cientistas não têm como prever o comportamento do Sol, nem como explicar a causa da Pequena Era do Gelo. Por que então temos certeza que o aquecimento atual é causado pela ação humana? Para exemplificar como a ciência climática é incerta, em 1974 (33 anos atrás, uma fração de segundo em termos de geologia e clima) a preocupação da moda era o esfriamento global. Trinta anos atrás os problemas com a poluição deviam ser maiores do que hoje, mas o maior medo era com o esfriamento global. Faz sentido? Se olharmos mais para trás. Vamos ver que de tempos em tempos a mídia alterna seu objeto de medo do esfriamento global para o aquecimento global ao longo dos últimos 100 anos (link). Talvez a palavra chave seja moda. Existe uma moda em termos de boas causas e desastres iminentes e o Aquecimento Global (ou Mudança Climática – vai que começa a esfriar) se tornou o carro chefe das duas categorias. Algum tempo atrás era o final da água potável no mundo e antes deste foi à superpopulação, o holocausto nuclear, o bug do milênio, a escassez de alimentos (vide Malthus) e outros mais.
Parece que o apocalipse está sempre logo ali na esquina. Nada contra conscientização ou as boas causas. O problema destas modas é que sempre existe gente para tirar vantagem do pânico. Da mesma forma que muita gente ganhou dinheiro prestando consultoria sobre o bug do milênio, já temos pessoas discutindo a criação do “Ministério da Mudança Climática” ou coisa que o valha. Provavelmente a função do titular da pasta será garantir que, sim, o mundo vai acabar daqui a 200 ou 400 anos, no máximo. Deve fazer parte de algum outro mecanismo do inconsciente coletivo buscar o próximo apocalipse e morrer de medo dele em seguida. Resumo para quem não quis ler o texto e foi direto para o fim: Devemos combater a poluição e preservar a natureza?
Sim, claro. A Terra está mais quente mesmo? Sim, ao que tudo indica. A culpa disso é nossa? Eu sinceramente não acho. Pelo menos faltam evidências. De quem é a culpa então? Sei lá. Por que a culpa tem que ser de alguém? Nem do Obama? O Obama é culpado por muitas coisas, mas acho que os poderes dele não chegam a tanto. Mas e os jornais, as revistas, os blogs, o Greenpeace, o… Se trabalharmos com informações incompletas os resultados serão distorcidos. A mídia é particularmente parcial neste assunto. Use o bom senso e tire suas próprias conclusões.
Vilmar Bitencourt - vbitencourtt@gmail.com